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Conheça o slow parenting: a proposta dos “pais sem pressa”

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Do colégio para a natação, da natação para o inglês, futebol, judô, aula de música, de pintura… No final de semana festa da escola, do condomínio, aniversário do coleguinha. No domingo, praça, shopping, casa dos avós. Ufa!

 

Na ânsia de oferecermos o melhor para nossos filhos, sobrecarregamos as crianças de atividades e cursos extracurriculares. Mas é preciso lembrar que uma agenda cheia não significa garantia de sucesso no futuro, pelo contrário: interfere no desenvolvimento de nossos filhos gerando sentimentos como ansiedade e estresse.

 

Contrário à necessidade de pais que estabelecem uma rotina intensa às crianças, que muitas vezes nem conseguem acompanhar as exigências de horários e atividades da agenda surgiu o movimento “slow parenting”, os “pais sem pressa”.

 

Trata-se, basicamente, de desacelerar a agenda dos pais para, consequentemente, desacelerar a agenda dos filhos resultando em mais tempo – de qualidade – juntos. O conceito, que tem como precursor o jornalista escocês Carl Honoré, defende a criação dos filhos com menos pressão e antecipação. Menos atividades, menos tecnologia, menos compromissos, mais brincadeiras e tempo para serem crianças.

 

– O movimento slow nos convida a refletir. Viver uma vida com menos compromissos e mais tempo em família, respeitando o ritmo de aprendizado de cada criança. Como consequência, temos crianças mais felizes, espontâneas e que ficam satisfeitas com a presença dos pais e amigos – explica a coach e analista em inteligência emocional Semadar Marques.

 

Foto: Pixabay, reprodução

Esse é um processo que não ocorre da noite para o dia, pois as mudanças impactam em toda uma rotina familiar. Mas, se introduzida aos poucos, a transformação poderá ser sim incorporada ao cotidiano da família e você conseguirá encontrar um equilíbrio para que as crianças possam ter uma infância feliz, sem muitas exigências e obrigações.

 

Confira dicas da coach para exercitar esse conceito no dia a dia.

 

Respeite cada fase

 

Não fique angustiada nem tente apressar o desenvolvimento em cada fase de seu filho. É preciso muita paciência para controlar a ansiedade e mais uma vez, entender e respeitar o ritmo de aprendizado, sem forçar nem exigir maturidade que não seja condizente com a etapa em que se encontra. Controlar as próprias expectativas é um bom caminho para isso.

 

Estimule a interação

 

Incentive seu filho a ampliar seu círculo de amizades, convivendo com outras crianças e percebendo novas formas e visões de mundo. Estimular novas amizades ensina seu filho a criar vínculos de carinho e afeto e lhe trará tranquilidade para interagir socialmente no futuro e lidar com a diversidade.

 

Deixe-o brincar

 

Deixar que seu filho tenha tempo livre para brincar, exercitar a criatividade, seja com você, com outras crianças ou sozinho é fundamental. Muito mais importante do que as atividades programadas, ter espaço livre para brincar e fazer o que gosta é essencial para que possam ser realmente crianças de forma espontânea e exercitem sua imaginação.

 

Ensine-o a respeitar e valorizar suas emoções e sentimentos

 

Que tal, ao invés de dizer ao seu filho “Você está com raiva, que criança feia você é!”, você dizer “Você tem todo o direito de ter raiva e isso acontece de vez em quando com qualquer pessoa, só não pode machucar nada nem ninguém por isso, ok?”. Todos temos emoções negativas e condenar uma criança por isso é ensiná-la a negar e reprimir as próprias emoções. Mas se ao contrário, você não julgar o que ele sente e oferecer apoio, ele se sentirá seguro o suficiente para lidar melhor com isso.

 

Aprenda, você, a lidar com suas emoções

 

Educar filhos para que sejam felizes e saudáveis envolve sim, autoconhecimento e inteligência emocional. Nossos filhos são influenciados diretamente pela forma com que lidamos com nossas emoções e por nossos comportamentos – e como nos relacionamos conosco e com o mundo. Cuide de sua saúde emocional, entendendo e aceitando melhor o que sente, investindo em tempo de qualidade consigo mesmo e em formas de administrar seu stress e ter mais relaxamento. Saiba que isso não fará bem somente para você, mas irá impactar na forma como você educa e cuida dos seus filhos.

 

“Crianças hoje, adultos só amanhã”

 

Foi com o nascimento do filho Eduardo, hoje com quatro anos, que o escritor Gabriel Carneiro Costa se viu inserido no movimento do slow parenting. A questão da pressa foi percebida desde as tentativas para a esposa engravidar, o que levou quase dois anos para acontecer. Com o nascimento do filho, as expectativas lançadas, a pressa para que ele andasse, falasse, e toda a neurose do ” eu tenho um amigo que o filho faz coisas que o meu não” fizeram com que o casal parasse para refletir o sentido de tudo isso.

Foto: Angélica Marques, divulgação

As mudanças deram tão certo que hoje eles dividem essas experiências em seus trabalhos (ele coach, escritor e palestrante e ela psicóloga infantil) e através do blog www.paissempressa.com.br.

 

– Não é fórmula mágica. Cada família deve aprender a adaptar um pouco do movimento em seu dia a dia. Hoje nós vemos muito resultado com o Eduardo. Criamos um vínculo forte baseado no diálogo. Ouvimos muito o que ele tem a dizer e, muitas vezes, decidimos juntos o que faremos com nosso tempo livre – completa Gabriel.

 

Princípios que norteiam o estilo de vida “pais sem

pressa”

♦ Estar presente e não apenas “dar presentes”

♦ Não é necessário abdicar da vida social (hobbies, esportes, vida conjugal ou profissão), mas sim parar (mesmo que seja por 20 minutos) e observar o filho

♦ Diminuir a agenda das crianças para que elas tenham tempo livre para serem crianças

♦ Não projetar suas frustrações ou sonhos em seu filho

♦ A história dos pais não é a dos filhos. Não necessariamente o que eu não tive vai ser importante para a vida dele

♦ Dar limites. O movimento não significa que você vai deixar seu filho fazer o que quiser

♦ Diminuir a expectativa e a pressão e permitir que os filhos sejam aquilo que quiserem ser (mais falantes, mais tímidos, etc)

♦ Tédio e ócio. Permitir-se momentos de não fazer nada.

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